Teologia para principiantes (#4): Israel
Autor:
Benjamin Myers
Tradução: José Luiz Martins Carvalho

Resumo: A história do antigo Israel é uma história da promessa; este é o início do evangelho.

A fim de falar do evangelho, nós não começamos com o próprio Jesus, mas com a história do antigo Israel. A história de Israel começa com um ato decisivo de Deus: o Êxodo. Um desconhecido deus das montanhas palestinenses como Yahweh liberta um grupo tribal oprimido de uma vida de trabalho forçado no Egito. Yahweh guia estes fugitivos rumo a um futuro prometido, em uma nova terra, onde pode encontrar a sua própria casa e sua própria identidade.

Desde o início, então, Israel existe como o povo da promessa de Yahweh. A fé de Israel é, desde o início, uma fé que olha para o futuro, embasada em eventos e promessas específicas de seu passado. Yahweh agiu decisivamente para a libertação de Israel; Yahweh fez um pacto com Israel, e abriu o futuro de Israel com suas promessas. Assim Israel vive pela promessa de Yahweh; ele vive pela expectativa e esperança.

Quando o povo do antigo Israel quer compreender seu lugar no mundo, eles contam histórias sobre os patriarcas que tinham vivido antes da fundação do Estado de Israel, e eles narram as maneiras pelas quais estes patriarcas também viveram a promessa feita por Deus. Um pastor de Ur ,chamado Abraão, deixa sua cidade e o deus da sua cidade, e se dispõe a migrar para uma nova terra, que um novo deus lhe tinha prometido. Abraão não tenha visto esta terra da promessa, mas ele e sua tribo segue vivendo pela esperança e expectativa. Histórias como esta reforçam o caráter promissório da fé de Israel: desde o início – antes mesmo de Israel existir! – Deus foi criando um futuro para Israel através de promessas. Aqui, então, reside o cerne da esperança de Israel.

Com efeito, tal como Israel surgiu a partir de tribos nômades, também há sempre algo distintamente nômade sobre a história de Israel. Israel nunca está em repouso por muito tempo. Sua existência é sempre voltada para o futuro, e vez por outra, ele é obrigado a confiar nas promessas de Yahweh; vez por outra ele é impulsionado à expectativa de um futuro prometido. Ao longo da sua história, Israel continua empenhado entre o passado e o futuro, esperando e esperando por algum evento importante, um acto de Yahweh, que vai cumprir todas as sua promessas e levar Israel a história de Israel à sua plenificação.

É simplesmente por esta razão que o exílio na Babilônia, no sexto século A.C., é também uma ruptura na fé de Israel. Na experiência do exílio, parece que a história de Israel chegou a um fim – não é o fim prometido por Yahweh, mas um fim que contradiz Yahweh a promessa feita e, portanto, contradiz fé em si. Portanto , os profetas interpretam esse exílio como julgamento de Yahweh do seu próprio povo. E, no entanto, mesmo durante a pronúncia juízo sobre Israel, os profetas também falam em novas formas do favor e da misericórdia incondicionais de Yahweh: embora Israel tenha sido infiel a Yahweh e não tenha vivido por sua promessa, ainda assim, Yahweh unilateralmente permanece fiel às suas próprias promessas. Desta forma, os profetas chamam Israel a voltar à fé em Yahweh, convidando-o a seguir em frente para o futuro da promessa de Yahweh.

De acordo com os textos do Antigo Testamento, muitos dos exilados judeus foram capazes de retornar à sua terra natal por 538 A.C. Mas ainda não existe um verdadeiro cumprimento da promessa, não há um final pleno para Israel, não há um clímax real da história de Israel. Uma das coisas mais intrigantes e inquietantes sobre o Antigo Testamento é exatamente este aspecto anti-climático. Embora Yahweh tenha feito promessas a Israel, e apesar de toda história de Israel ter sido definida por estas promessas, de certa forma a história de Israel leva finalmente ao nada! Ao final de sua história, não há cumprimento, não há concretização do prometido futuro, não há clímax que possa dar significado e estrutura para esta história como um todo.

Quando lemos o Antigo Testamento, no final desta longa história, encontramos apenas promessa sem concretização, suspense sem um clímax, esperança sem um futuro. Mas o drama da história de Israel foi para encontrar seu surpreendente final num evento no primeiro século da Era Cristã.

Leituras recomendadas:

  • Albertz, Rainer. A History of Israelite Religion in the Old Testament Period, Vol. 1 (London: SCM, 1994), pp. 23-66.
  • Berkhof, Hendrikus. Christian Faith: An Introduction to the Study of the Faith (Grand Rapids: Eerdmans, 1979), pp. 221-65.
  • Jenson, Robert W. Story and Promise: A Brief Theology of the Gospel about Jesus (Philadelphia: Fortress, 1973), pp. 13-31.
  • von Rad, Gerhard. Old Testament Theology, Vol. 1 (New York: Harper & Row, 1962).
  • Rendtorff, Rolf. The Canonical Hebrew Bible (Leiden: Deo Press, 2005).
  • Zimmerli, Walther. Old Testament Theology in Outline (Louisville: John Knox Press, 1978).